Archive for Outubro, 2008
O futuro das rádios online.

Enquanto deputados e senadores brigavam para decidir se aprovariam ou não o pacote econômico de George W. Bush, aqui nos EUA, uma outra lei mais discreta chegava ao congresso. Dependendo de se fosse aprovada ou não, poderia destruir o negócio das rádios online em todo o mundo (sim, leis americanas têm esse tipo de poder sobre a internet).
A lei passou e sites como Pandora e Last.fm continuarão no ar. Mas, nesse meio tempo, várias rádios menores em todos os EUA fecharam as portas. Apenas as grandes sobreviveram. E o problema era copyright.
Quem decide o preço pago por música tocada numa rádio, nos EUA, é o Copyright Royalty Board, um conselho vinculado ao Poder Legislativo. Em maio de 2007, eles determinaram que rádios online teriam de pagar às gravadoras US$ 0,0014 por música tocada a partir de 2008 e US$ 0,0019 de 2010 em diante. Considere-se que, em 2006, o valor era de US$ 0,0008 e dá para ter uma noção do tamanho do aumento. A soma corresponde aos direitos pela gravação, não pela autoria da música.
Neste ano, a maior de todas as rádios online, a Pandora, fará US$ 25 milhões brutos. E deveria às gravadoras US$ 18 milhões. O resultado? Depois de pagos os impostos e os direitos de autoria das composições, não resta nada.
Todos iam fechar as portas. Como o mercado americano é o maior mercado para as rádios online, como é onde está o dinheiro a ser feito, ninguém teria condições de montar um negócio do tipo. Sobrariam os piratas. Mas o Congresso, após uma campanha liderada pela trupe da Pandora e apoiada pela NPR, Rádio Pública Nacional dos EUA, que veicula sua programação online, reviu a decisão do conselho.
Tal decisão não nasceu do nada. Durante 48 dias, foram ouvidos especialistas no assunto. Os testemunhos nas audiências públicas e os documentos e análises que apresentados tiveram por resultado um relatório de 14 mil páginas. Audiências ‘públicas’, claro, mas as gravadoras têm muito dinheiro, as rádios online não têm tanto. Pois bem: tropas de advogados, analistas, especialistas e tudo o mais foram contratados para defender o aumento. Não é à toa que, para o conselho, as gravadoras pareciam mais do que certas.
A história complica: nos EUA, rádios AM e FM são consideradas isentas de taxas pelo copyright da gravação. Pagam apenas a taxa pelos direitos de autor da música. Então rádios online pagam (muito) mais do que rádios cá de fora. São discriminadas. A lei não entende como tratá-las. E as gravadoras se aproveitam.
E há uma esquizofrenia em todo esse processo: preocupadas com a perda de receita pela venda de CDs, gravadoras buscam novas fontes de renda. E querem sugar tudo quanto for possível. Ao fazê-lo, eliminam a viabilidade de um negócio que vai favorecê-las no fim das contas. Sem negócios viáveis, a alternativa são as rádios e músicas piratas.
O colunista Pedro Doria passa um ano em Palo Alto, na Califórnia
Add comment Outubro 29, 2008
Super rádio!
Sou muito fã da K-Earth 101 de São Francisco. Esse maluco é o Shotgun Tom Kelly. Todos os locutores dessa emissora são fantásticos e as vinhetas? JAM, é claro!
Add comment Outubro 29, 2008
Rick Bonadio: Artista que não faz sucesso é ruim.

Os festivais são péssimos. E ponto. O mesmo não se pode dizer da cena em si, já que há bandas de qualidade. Esse é o diagnóstico do produtor Rick Bonadio em sua segunda entrevista ao Abril.com sobre o rock independente do país.
O novo parecer é ameno em relação à entrevista por e-mail concedida por Bonadio em 2 de outubro. Na ocasião, o produtor de NX Zero e Fresno foi taxativo em declarar que os festivais independentes eram péssimos e formados por panelinhas, além de criticar a qualidade das letras das bandas da cena.
Causou, claro, a ira dos produtores e artistas da cena. O contra-ataque foi baseado no fato que, por não freqüentar os festivais, Bonadio não teria legitimidade para criticá-los, assim como tampouco as bandas que produz são reconhecidas por suas letras.
Desta vez, o produtor respondeu às perguntas pessoalmente no estúdio de sua propriedade, o Midas, em São Paulo. Ali revelou seu sonho de consumo: trabalhar com os Racionais MC’s.
Abril.com: Você falou que alguns festivais são péssimos e teve uma repercussão…
Rick Bonadio: Os festivais são péssimos.
Todos? Você chegou a acompanhar algum?
Eu acompanhei todos, e deixei de acompanhar justamente por essa coisa, que se formam panelinhas e curadores de festivais que são caras totalmente alienados do que realmente é a música boa. Claro que existem exceções, mas no geral o que rola é o seguinte, é “o amigo, do amigo, do amigo”. E uma coisa que é um fato, que você até pode me ajudar a lembrar: eu não lembro de banda que tenha feito sucesso no Brasil que tenha saído desses festivais.
Chico Science e Nação Zumbi saíram do Abril Pro Rock…
Chico Science e Nação Zumbi não fizeram sucesso por causa do Abril Pro Rock, eles participavam porque era do lado da casa deles. Vamos lembrar dos últimos sucessos: Raimundos não saiu de festival nenhum, Mamonas [Assassinas] também não, Charlie Brown Jr. nunca se quer participou desses festivais.
O que você acha de bandas como Móveis Coloniais de Acaju. Você conhece?
É uma banda que dentro do independente tem uma das melhores carreiras, e saíram dos festivais…
Conheço. Eu acho que o caminho feito pelas bandas independentes é feito pelas próprias bandas, e esse caminho não passa pelos festivais. Já participei de vários, você chega lá e pensa: ‘porque não toca qualquer tipo de som, fica só aqueles “papos-cabeça”, essas coisas meio de Recife, umas letras meio esquisitas, meio retrô. Chato pra caramba! Eles tocam mal pra burro, não tem uma consistência. E tem bandas boas querendo entrar e que eles não deixam.
Você pode citar algumas dessas bandas?
Posso citar uma banda, o Charlie Brown Jr. Quando a gente começou, nós tentamos tocar no Abril Pro Rock, mas eles não deixaram. O que acontece geralmente é assim, você começa com uma banda de rock e sozinho não consegue entrar nos festivais. Aí, depois que a banda estoura, querem comprar a banda. A banda pede um puta cachê e eles [organizadores] falam: ‘Ah não, eles têm que vir tocar porque aqui é o Abril Pro Rock, aqui é o Mada, aqui é o não sei o que. Aí, bicho, paga e leva a banda, senão faz o seu festivalzinho de merda e pronto. É isso que rola.’
Você acha que essa cena está começando a se fortalecer nessa nova maneira de mercado, fora das gravadoras?
Eu acho que a movimentação das bandas independentes hoje é incrível, porque os caras não têm oportunidade, eles não têm grana e conseguem fazer as bandas por uma única coisa que os move: o amor pela música. Eu não acredito em bandas de internet. E vamos explicar. A banda não surge na internet do nada, ela surge no palco. Vamos supor que você monte uma banda hoje, você foi lá fez um show no Outs [casa de shows paulistana]. Aquele público que estava lá gostou de você, aí eles vão na internet procurar suas músicas. A internet é um veículo, ela não é a primeira oportunidade do público conhecer a banda. Ninguém sobrevive sem show, se não tiver um grande atrativo no palco.
E um fenômeno tipo Mallu Magalhães?
Eu a acho incrível, porque ela é dessa cena independente com qualidade. Porque a cena é boa pra caramba. E a prova ta aí, apareceu uma menininha de 15 anos de idade, com muita qualidade, fazendo um negócio que ela nem sabia que era bom. Eu acho que ela, no caso, contradisse tudo aquilo que eu falei antes sobre o show, ela é um fenômeno de internet. Mas no palco ela é boa pra caramba.
Hoje as gravadoras não estão passando por um bom momento, continuar independente é uma saída?
Acho que as bandas precisam começar no independente, mas elas não conseguem ter uma exposição bacana só vivendo no independente. [Veja] o exemplo do Autoramas, os caras já encheram o saco, eles eram de gravadora grande, já voltaram pro underground. O público não gosta. As bandas que trabalham no underground na cena independente têm a ambição de conseguir um contrato com uma gravadora grande que possa dar um upgrade na carreira.Tem muita banda que tem o som bom, mas não é o que o público quer ouvir no momento. Só que tem banda que tem 20 anos e nunca o público quer ouvir. Eu acho que tem alguma coisa errada aí.
Você é um cara que trabalha com muitas bandas ao mesmo tempo, que realiza o sonho de sucesso de alguns, mas muitos sonhos acabaram na sua mão também. Como é lidar com esse outro lado? Lidar com o fracasso?
É bastante difícil, porque ninguém acredita na derrota. O grande lance é que eu também não acredito na derrota. Eu não gosto de banda que não faz sucesso, eu quero fazer sucesso. Os artistas que trabalharam comigo sabem disso, então nós estamos todos juntos. O cara que assina comigo não tem garantia que vai fazer sucesso. Ele vai ter um pouco mais de força, da minha experiência, do meu conhecimento. Mas às vezes não dá certo.
Você acha que rola um pouco de preconceito com o pessoal do emo nos festivais?
Não, existe medo. Se você colocasse o NX Zero quatro anos atrás num festival desses, não ia sobrar pra ninguém, porque os caras tocavam pra caralho. Se botar o Fresno no festival, vai acabar com o festival. Não é porque o Fresno trabalha comigo, eu fui atrás deles e não eles que vieram atrás de mim. Eu fui buscar o Fresno porque chapei na qualidade das letras do Lucas e do Tavares. O vocal do Lucas, a presença de palco dos dois, está muito acima.
Mas você acha que não salva nenhum?
É como eu falei pra você, existem exceções. O Porão do Rock [em Brasília] é legal.
O que você acha dessas bandas que estão aparecendo agora? Tipo Vanguart?
Eu não gosto de nenhuma delas, mas eu as respeito.
Você acha que comercialmente não funcionaria?
Eu não acho que funciona. Tem uma banda que ganhou o “Aposta MTV” agora, com um clipe bom pra caramba, como é que chama mesmo?
O Garotas Suecas?
O clipe é genial, mas a música é terrível. É bem chato.
Você fala de uma “panelinha”. Ela rola em todo lugar, né? Na rádio, na MTV…
Eu não acredito que exista uma panela na MTV. Essa história do Tico Santa Cruz…
O que você achou dessas declarações dele?
Ele está morrendo de recalque porque nunca entrou na MTV porque a banda dele é a cópia d’O Rappa, com Charlie Brown e uma pitada de CPM 22. Então ele fica falando essas palhaçadas aí, mas o garoto é um bobo. Se ele tivesse lá dentro, pergunta se ele falaria isso? Eu era produtor do Mamonas Assassinas. Você tem dúvida que naquele ano os Mamonas Assassinas eram a revelação? Naquele ano de 95, se não me falha a memória, teve lá o VMB. Você sabe quem ganhou como revelação? O Otto.
Vou te dar outro exemplo, a gente ganhou um monte de coisa com o NX Zero agora, já o Fresno não ganhou nada. O próprio NX Zero entrou no top 20 na época, e eu não os conhecia. No dia que eu fui ao Hangar ver o show deles pra contratá-los, eu já tinha ouvido o CD e tinha chapado. Coloquei no top 20 e eles estavam estreando em 18º lugar. E agora os caras tão ganhando tudo e vem o menino lá [Tico] dizer que isso é panela. O cara está recalcado, a gravadora dele gasta milhões em promoções pra ele tocar nas rádios. Porque ele não fala mal das rádios então? Que ele toca pra caramba nas rádios com umas músicas ruins? Tem que dar uns petelecos nele e falar: ‘acorda moleque, [você] está viajando’.
Você é um dos caras que nos últimos anos foi responsável pelas maiores vendagens dentro do pop rock brasileiro. Você acha que a crítica é muito dura com você?
O que me incomoda na crítica é a questão pessoal. Por exemplo, uma vez a gente lançou o disco do Fresno, e teve uma crítica no “Folhateen” que o garoto detonou o disco. Depois eu descobri que ele era de uma banda independente do Rio de Janeiro, que tem treta com os meninos do Fresno. Eu acho que as pessoas me criticam por eu ser sincero e honesto, eu gosto de artista que vende disco. Eu sempre falo que artista bom é aquele que faz sucesso, se não faz sucesso é ruim. O bom é o que o público gosta, senão faz música erudita.
Na época do Mamonas Assassinas, a crítica sempre metia o pau, agora 10 anos depois todo mundo acha bom. Como você analisa isso?
Acho que talvez daqui a 20 anos vão falar bem de mim. Deixa eu ficar velho, aí os caras vão falar bem de mim. Se a critica estiver falando bem do disco, você está na m… Se tiverem falando mal, significa que você tem uma chance de vender.
Por que você acha isso?
É o que acontece. Mamonas, Charlie Brown, NX, sempre foram detonados pela critica e venderam muito. A VEJA vive querendo entrevistar o NX Zero, eu perguntei pros moleques e eles disseram: ‘nem fodendo, aquele cara só fala mal de todo mundo, o Sérgio Martins.’ Não é nosso público, não é nosso timing. Vai dar entrevista pra VEJA pra que? O público de vocês [NX Zero] não lê a VEJA.
Na entrevista anterior, eu tinha perguntado sobre quem você gostaria de produzir. Além do Titãs, tem mais alguém?
O Racionais MC’s. Porque o Mano Brown é um gênio. Um cara que veio de uma situação muito difícil que mostrou com o talento dele que é muito inteligente. Eu acho que eu poderia ajudá-los a melhorar o som dos discos deles. Eu acho os álbuns muito ricos em muitas coisas, mas poderia ser melhor. Os discos não são ruins, faz 10 anos que eu ouço, e não canso de ouvir. Os sons são apropriados para aquilo que ele fala. Eu teria uma coisa interessante pra acrescentar.
Já chegou a procurá-los?
Eu produzi uma vez uma garota junto com o Ice Blue, mas como não somos amigos, não os procurei. Se os caras me procurassem, eu pararia tudo que estou fazendo pra produzi-los. Porque eu sei que essa pose marrenta deles é uma defesa, mas tem muita inteligência ali. É igual a história dos Titãs, eu queria produzi-los porque é muito talento junto. É prazeroso trabalhar com gente boa.
Um dos conselhos que você deu pras bandas era ser original. O Dogão, querendo ou não, era inspirado no Gorillaz. Você não acha que isso acaba contradizendo com aquilo que você disse?
Na verdade, não foi inspirado no Gorillaz. O Dogão sempre existiu, aí apareceu o Gorillaz. Eu ia deixar de fazer porque tinha aparecido outro? O Gorillaz não era rap, tinha o Del tha Funkee Homosapien que cantava rap em umas duas músicas só. O resto eram viagens eletrônicas, experimentais. O Dogão era um rapper pop com personalidade totalmente original.
Você pensa em uma volta do Dogão?
Não, dá muito trabalho. Pra fazer o clipe demorava três meses. Pra gravar o disco eu tinha que fazer nas brechas dos meus outros trabalhos, era uma coisa de pura diversão. O cara que canta tinha outro trabalho que não tinha nada a ver. O trabalho que você tem pra fazer um artista virtual dá pra gravar 10 artistas de verdade. Nós dávamos risada com esse negócio de crítica, até hoje tem gente com raiva do Dogão.
1 comment Outubro 24, 2008
O profissional desatualizado do rádio.

Provavelmente você conhece alguém assim. Pior, é possível que ele tenha sido (ou seja) seu chefe. Reuni algumas características de pessoas que perderam o bonde da história no que diz respeito ao rádio. Não é de forma alguma uma condenação ou execração pública de quem quer que seja, mas sim uma forma de chamar a atenção para uma auto-avaliação pessoal de um comportamento como ser humano e profissional.
01) Inventa inimigos externos.
O profissional desatualizado sempre elege como culpado algum fator externo pelo qual ele não tem o controle. Assim é mais fácil transferir a culpa ou responsabilidade de seus atos. Já que este é um blog de rádio, vemos muitos profissionais condenando as gravadoras como se as mesmas fossem as causadoras do mal maior. “Gravadoras-exploradoras-capitalistas-selvagens-imperialistas-manipuladoras-do-pobre-ouvinte”: Esta é uma cantilena frequente na boca dos saudosistas (outro item deste texto) sobre a atual situação do rádio. Falam isso como se eles não fossem parte integrante do rádio e navegassem ao sabor de suas ondas. Ora, não existe UM fenômeno musical lançado no Brasil (e no mundo) que não tenha por trás um grande investimento de gravadora, da bossa nova ao rock, do sertanejo ao funk. Como vocês acham que os Beatles chegaram ao estrelato (merecido, diga-se de passagem) com suas economias pessoais ou com um esquema milionário da EMI?
02) Tem pouca adaptabilidade.
Em resumo: O mercado tem que se adaptar a ele e não ele ao mercado. Mais do que nunca, o profissional do rádio deve ser polivalente. É uma exigência profissional conhecer todos os aspectos do rádio como locução, produção, programação, comercial, etc. Um ex-diretor artístico de rádio pop no passado pode passar a ser um locutor de uma estação popular hoje, por exemplo. Quem diz “Eu jamais vou trabalhar em radio brega” pejorativamente, meu conselho é que abra um açougue. Profissional de rádio com “P” maiúsculo anuncia tão bem Calcinha Preta como Simple Plan. O profissional desatualizado geralmente só consegue fazer um tipo de rádio e tem uma visão limitada do setor.
Em nosso meio não tem como prever todos os cenários. Mas há uma certeza, a de que não temos certeza nenhuma. O mercado de rádio hoje é extremamente volátil. As mudanças acontecem rápido e não há mais dúvidas: É você que tem que mostrar que o rádio precisa de você e não o contrário. A era do emprego eterno acabou há vinte anos.
03) Ignora as novas tecnologias e a concorrência.
O rádio passa por profunda modificação mas o profissional desatualizado ignora isso. Novas plataformas de mídia nascem em um ritmo alucinante enquanto nosso amigo acha que “site de rádio é um negócio superfluo”. Sim, os dinossauros ainda não morreram. A classe C comprando PCs como nunca, conhecendo assim outros universos e formas de comunicação. O público alvo interagindo e influenciando cada vez mais o conteúdo consumido. A concorrência com meios alternativos (Tvs in door, webrádios, canais a cabo, etc.) aumentando de forma vertiginosa e o diretor acha que a rádio vai chamar a atenção por si só. Não vai. Não há como o público-alvo absorver toda a quantidade de informações. Recebemos em média 500 mensagens publicitárias por dia o que torna nossas escolhas de marca mais seletivas.
04) É profundamente saudosista.
OK, confesso. Eu sou saudosista. Mas uma coisa outra é ter o privilégio de possuir experiências que constroem seus valores e olhar para frente, outra é se prender ao passado, recordando antigas glórias, e viver enclausurado nele. Ser saudosista é bom, mas não quando atrapalha o presente. Frases como “Rádio bom mesmo era nos anos 80!” demonstra que o profissional não se encaixou no atual mercado radiofônico onde a demanda por soluções criativas e eficientes é fundamental. Não digo que o rádio dos anos 80 não era bom, muito pelo contrário, mas hoje a música, o público e o rádio mudaram. A tecnologia influi diretamente na forma como o rádio deve ser administrado, para o bem e para o mal. Atualmente o ouvinte é muito mais difícil de ser conquistado devido à maior concorrência. O mercado está fragmentado, ou seja, para você chamar a atenção da audiência para a sua marca, o investimento em publicidade e fidelização são enormes.
05) Se considera um guru, o salvador das rádios.
O profissional desatualizado geralmente considera a sua verdade como a única e verdadeira para a salvação do rádio. Já vi em um fórum uma espécie assim separava as pessoas em duas categorias: As que preservavam e amavam o rádio (que coincidentemente concordavam com seus argumentos) e o resto, que tinha por objetivo acabar com o meio, eram corrompidas “por tudo o que está aí”. Esse caso, a meu ver patológico, tem outra característica, odeia ser contrariado e não vacila em atacar a jugular usando as piores estratégias como a desqualificação do “oponente”. Cuidado com esses elementos.
06) Fala mal de rádios exclusivamente pelo formato.
Essa é geralmente outra característica do profissional desatualizado. Ele só consegue trabalhar com um formato de rádio, e parte para desqualificar os colegas que estão em emissoras cujo o estilo musical não o agrada. Simples assim. Acredito que o bom radialista seja aquele que compreende e absorve todas as linguagens do público que ouve rádio. Assiste com o mesmo interesse um documentário do Discovery Channel como o show de calouros do Raul Gil, porque ambos lhe trarão subsídios para suas escolhas em seu universo de trabalho. Quem trabalha em rádio deve ficar antenado 24 horas por dia pois perder uma tendência ou movimento de sua audiência significa estar na lanterna do mercado radiofônico.
Enfim, o profissional desatualizado me lembra uma Ollivetti. Para os mais novos, essa máquina de escrever era a “ferrari” de sua época. Visual italiano, motor elétrico, som inconfundível das teclas martelando o papel. Onde estão as Olivettis hoje? Foram implacavelmente engolidas pelos impessoais e silenciosos computadores, muito mais eficientes.
Você seria uma Olivetti hoje?
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2 comments Outubro 23, 2008
Mixando com o DJ Iraí Campos.
C&C Music Factory? Hahahahaha! Que as múmias se levantem de seus sarcófagos… Hehehehe! Muito legal ver esse vídeos com as aulas do Iraí. Pena que tem apenas 30 segundos.
Add comment Outubro 23, 2008
Sobre o futuro do rádio.

O multimédia acaba com a ideia de rádio?
A rádio é acumulação, escuta secundária e portabilidade. E é óbvio que as ferramentas multimédia, associadas à Internet, matam esta ideia de rádio.
Mas poderá continuar a haver canais só de áudio para desempenhar essa função de acumulação ao nível da música.
Contudo esses canais terão menos ouvintes: porque a acumulação tem agora concorrência, porque as ferramentas multimédia oferecem um novo tipo de comportamnento ao utilizador que já não se compadece só com ouvir.
Daí que os telemóveis (celulares) permitam visualizar.
A rádio tal como a conhecemos ficará confinada à rádio de palavra, essa sim insubstituível, à palavra em directo, e a situações de acumulação passiva (correr) em que ou não haja outras opções (iPod, telemóvel) ou em que apeteça ser passivo. Mas essas situações configurarão menos ouvintes, menos dimensão.
Portanto: a rádio como a entendemos não está em causa se:
- for a rádio de palavra (os leitores de mp3 concorrem com a rádio musical):
- enquanto houver gente que não tenha alternativa ou queira ser passiva na escuta de música.
Se no primeiro caso, é de pensar que os ouvintes continuarão a ser os mesmos (ainda que haja mais hipóteses de obter informação ‘em cima da hora’, através da net, a rádio poderá de palavra em directo será insubstituível), já relativamente aos canais de musica, falta saber se o numero de utilizadores garante massa critica que os viabilizem comercialmente (apesar dos baixos custos).
Fonte: site português Net FM
Add comment Outubro 23, 2008
Nova plástica da rádio CBN.

Ouça uma das trilhas aqui. O que você achou? Fonte: Blog da Magaly Prado.
1 comment Outubro 20, 2008
Rádios ecléticas e híbridas.

Classificar rádios é sempre difícil. Primeiro porque não existe essa preocupação de rotular os formatos nos profissionais que trabalham na área e muito menos entre os ouvintes. Em segundo lugar, a programação das emissoras hoje é muito volátil. E por último, a complexibilidade dos estilos musicais e suas subdivisões dificultam a definição de um formato de forma precisa. Mas mesmo assim, vamos lá. ;)
A grande novidade em termos de rádio hoje é o que eu chamo de “híbridas”. São rádios que se dedicam a uma programação popular (leia-se sucessos de novela, pagodes, sertanejas, etc.) acrescidas de músicas pop, ou seja, que tocam em rádios como a Pan ou Mix. A proporção é em média 70% popular, 30% pop. “Mas isso sempre existiu!” diria um ouvinte menos atento. Não, digo eu, sempre existiram rádios “ecléticas”, que tem no seu playlist exclusivamente artistas de apelo popular. Havia sim, uma clara divisão no playlist das emissoras “jovens” (termo ultrapassado) e “populares”, onde um artista de uma rádio nunca cruzava a fronteira da outra. Esta linha, antes bem demarcada, se torna cada vez mais tênue. A prova disso é ouvir Akon ou NXZero em nas emissoras híbridas e pasmem, Claudia Leitte em um ícone pop como a Jovem Pan.
As rádios híbridas tem ainda uma grande diferenciação em relação as ecléticas. A linguagem é mais ágil, a locução não é “cantada” como nas emissoras populares, assim como a plástica (vinhetas e chamadas) é mais moderna, mais próxima ao segmento pop. As ecléticas, também chamadas de hits, trazem ainda o conceito do AM no FM, locutores “amigões” e não raro tem uma filosofia de prestação de serviço bem acentuada. A diferença não é sutil entre os dois tipos de estação.
Aqui algumas características das emissoras híbridas:
- Plástica pop mas com uma programação mais popular. As músicas pop entram, mas em proporção reduzida.
- Promoções voltadas ao público jovem, com ênfase em novidades tecnológicas como Iphones ou computadores. Nada de sorteio de cestas básicas aqui.
- Locução dinâmica e corrida, ao contrário do ritmo mais ameno das ecléticas. Participação menor do locutor e ouvinte no ar.
- Sites com roupagem moderna, com ênfase na interatividade com os ouvintes, inclusive utilizando blogs de locutores.
- O uso acentuado de redes sociais como o Orkut.
- A divulgação externa da marca de rádio através da equipe de promoções, que aliás, ganha status dentro das emissoras. São eles que fazem a ponte entre o ouvinte e a rádio nas ruas da cidade.
-Eventos e prêmios voltados para a classe C.
É uma mudança e tanto que vem dando certo em muitas praças. Um claro exemplo é a Beat 98, já mencionada várias vezes no blog.
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4 comments Outubro 20, 2008


























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