Archive for Julho, 2009
O jabá nosso de cada dia.
Tenho acompanhado a discussão sobre o jabá mais de perto nos últimos dias desde que o cantor do Detonautas, Tico Santa Cruz, expôs a ferida aberta em seu blog (leia aqui).
Antes de mais nada, é muito interessante ler o ponto de vista de alguém que está dentro do processo de divulgação e pertence ao mainstream do entretenimento. Foi esclarecedor ler alguns argumentos de Tico, que a partir de agora comento aqui:
“O Detonautas antes de mais nada é uma grupo que se dedica ao rock nacional e faz parte de um cenário onde os planejamentos de lançamentos são baseados nas parcerias que existem entre Gravadoras, Rádios e artistas.”
Ok, logo de cara ele já se coloca como uma banda veiculada à uma gravadora, diga-se de passagem a poderosíssima multinacional Sony. Então devemos esquecer que não se trata na luta entre o bem e o mal. Davi, o pequeno artista independente e proletário contra Golias, a malvada rede Mix FM, capitalista – exploradora – dos – fracos – e – oprimidos. Na minha opinião, o artista omite propositadamente o nome Sony Music (só a trata como “gravadora”), para justamente não desviar a atenção dessa imagem. Na verdade, o embate é entre duas grandes empresas, titãs empresariais em seus segmentos.
“Existem muitas emissoras espalhadas por todos os estados e na maioria delas somos bem vindos, temos nossas canções tocadas diariamente e compartilhamos nosso trabalho com um número grande de ouvintes, o que mantém o Detonautas na estrada fazendo uma média de 8 shows mensais mesmo estando ausente do que muitos entendem por “mídia”, leia-se programas populares de TV e primeiro lugar nas paradas de sucesso.”
Bom, se existem muitas emissoras espalhadas pelo Brasil que tocam Detonautas, não quer dizer que eles estejam no ostracismo e muito menos fora da mídia. Pergunto-me, de forma incocente, como a gravadora Sony Music insere sua banda nessas rádios, ou o ‘maligno jabá” é apenas para a rede Mix. Ou seja, não desviemos o foco da questão. A reclamação do vocalista do Detonautas é estritamente comercial, algo que ele fala várias vezes no post. Em frente…
“Pois bem, assim como temos nossos altos e baixos é muito comum que uma Emissora se torne a principal líder de audiência enquanto as outras vão se adaptando as novas necessidades e infelizmente isso faz com que quem antes era parceiro e batia na porta convidando para Festivais, entrevistas e etc., acabe sob o efeito inebriante que o gosto do poder oferece e passe a fazer suas escolhas ignorando seus antigos aliados. Isso é muito comum neste mundo.
Quantas histórias não conhecemos de gente que chega ao topo, assume uma posição privilegiada e passa a ignorar aqueles que o ajudaram a chegar lá?”
Aqui Tico acredita que houve ingratidão da Mix em relação à sua banda. Mas esse sentimento é normalmente levado à tona muito mais em questões pessoais que profissinais. Se o texto tem como assunto-chave uma negociação comercial fracassada entre as partes, usar esse argumento é um recurso ignóbil, pois ambas as partes se beneficiaram: A Mix teve um conteúdo musical e promocional interessante (Detonautas) e os Detonautas uma vitrine privilegiada para exibir suas canções (Rede Mix). Houve uma troca justa e não uma exploração da boa vontade do grupo. Acho que Tico Santa Cruz errou um pouco a mão nesse ponto.
“Vale lembrar que não estou comentando apenas com relação a amizade, estamos falando de negócios, dinheiro, comércio. É assim no mundo inteiro, essa é a realidade. E o que é comercialmente importante torna-se obviamente alvo de cortejo dos interessados.”
Acho foi bem colocado da parte dele especificar (até mais de uma vez no texto) essa questão. Existe um conceito errôneo que apenas artistas populares pagam jabá, afinal de contas, “quem toca música sertaneja a não ser pelo jabá?”, dizem os desinformados/ mal intencionados. Em muitos fóruns, é comum ler esse tipo de colocação maniqueísta: “A Nativa aliena enquanto a Jovem Pan conscientiza o jovem.” Nada pode ser tão longe da realidade. Nesse ponto, mais uma vez, Tico Santa Cruz expõe que a relação é comercial, o que acho bem coerente e honesto da parte dele.
“Eles queriam que nós modificássemos a estrutura original da música, baixando as guitarras e refazendo os arranjos para que pudesse tocar em sua programação. Chegaram a sugerir que mandariam um produtor DELES para pegar a MASTER ABERTA de nossa gravação e colocar o padrão Mix de som. Nós batemos o pé e não aceitamos.”
Aqui temos uma decisão pessoal da banda e nem cabe julgamento algum. De qualquer forma, há muito tempo artistas internacionais já fazem diferentes versões de uma música justamente para encaixar suas músicas em vários formatos de rádio. Acho uma decisão inteligente que deveria ser levada mais em consideração pelos nossos artistas.
Depois o texto entra em meandros que não cabe neste post. A essência que me interessa é justamente a abertura para o grande público dos acordos comerciais do mundo pop. Fato também explicitado por Tico em outra entrevista (leia tudo aqui):
“Ficar nas mãos dos interesses comerciais de alguns homens me angustia muito e sei que faço parte desse sistema e que em vários momentos compactuei com eles quando me interessou, mas o jogo é assim e quem não se enfia no meio não sabe exatamente como funciona e sem saber como funciona não sabe como pode mudar.”
Não deixa de ser admirável essa postura. Apesar de muitos não acreditarem, rock é tão legítimo como o sertanejo, pagode e calipso. São produtos comerciais de grandes gravadoras, geralmente multinacionais, que em última instância investem para ter lucro. E não poderia ser diferente.
O fato é que o jabá é tão antigo e enraizado na própria cultura do brasileiro que se torna impossível a sua extinção. Se Elis Regina entrou no rádio pelo jabá, porque os Detonautas ou Victor e Léo não entrariam? Poucos sabem, mas o sabão em pó que está em destaque no supermercado ou o best-seller exposto na principal gôndola da livraria é fruto do mais puro e legítimo jabá.
Não deixa também de ser um “jabá pessoal” quando baixamos músicas na internet, quando o certo seria comprarmos o cd. Alguém está levando vantagem e somos nós, não é verdade? Que atire o primeiro mouse quem nunca pensou isso.
O combustível do rádio comercial é o sucesso! Essa é a regra. E sucesso quer dizer maiores repetições nas programações das emissoras, para que a música fixe na memória do ouvinte. Existem duas limitações. O período de maior atenção do público é curto e o número de artistas que deseja o olimpo da fama é grande. A lei da oferta e da procura, tão importante quando a da gravidade, entra em ação. É um espaço valioso. Isso serve para qualquer emissora e formato musical. É um processo que se auto-alimenta. O rádio ainda tem uma atuação importante nessa área. Lembremos que internet atinge apenas 20% da população brasileira.

A grande hipocrisia é ler que o rádio é uma concessão pública e bla, bla, bla… Bobagem. Quem usa esses termos só o faz simplismente porque tem seus interesses PESSOAIS prejudicados, só isso. “O rádio é do povo!” Bradam eles! Mas quando o rádio tocavam rock nos anos 80, nenhum deles pediu mais música caipira, carimbó ou baião no rádio, pediram? Não, TAVA BOM DEMAIS, certo? Afinal o som que EU gosto já ouvia nas ondas do FM. Acho legítimo reclamar da falta de diversidade no rádio, mas sem usar relativismos ou argumentos toscos.
A realidade: Não há rádios para todos os estilos musicais! Sempre um segmento será esquecido, até porque a música hoje é muito mais complexa do que há 15 anos. Solução: Vá para a internet. É o único universo sem imite para a música. Não está satisfeito com o mídia? Seja a mídia. Faça sua webrádio! Faça o que você gostaria que estivesse no ar.
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14 comments Julho 29, 2009
Sirius XM, um dos lançamentos mais frustrantes da década.

O rádio via satélite Sirius XM supostamente seria um dos mais bem sucedidos dispositivos eletrônicos de consumo de todos os tempos. Inicialmente, o serviço foi planejado para não ter comerciais.O assinante poderia ouvir mais de cem estações de costa a costa ao volante de seu veículo ou usando uma versão portátil do dispositivo.
Em setembro de 2001 a XM Satellite Radio lançou seu serviço. No fim do ano, tinha quase 28 mil assinantes, que passaram a 350 mil no final de 2002 e somavam 5,9 milhões no final de 2005. Neste período, a companhia acumulou centenas de milhares de dólares em débitos para cobrir despesas de capital, déficit operacional, de vendas e custos de marketing.
Analistas imaginavam que ela seria altamente lucrativa assim que chegasse a mais de 10 milhões de assinantes. A rival Sirius lançou seu serviço em julho de 2002. Nos cinco anos seguintes, teria um pouco menos de assinantes que a XM Satellite Radio, mas cresceria quase tão rápido quanto aquela. E a Sirius também se endividou para suportar as operações.
Em fevereiro de 2007, rendendo pouco, as duas companhias anunciaram a fusão. A Comissão Federal de Comércio analisou o pedido por 13 meses, enquanto as companhias sangravam. O crescimento de assinantes estava em ritmo bem mais lento, principalmente por causa dos novos e mais populares dispositivos de entrentenimento como o iPod da Apple e celulares multimídia. No primeiro trimestre de 2009, o número de assinantes para os serviços combinados caiu para 400 mil ante os 18,6 milhões registrados no trimestre anterior. Nem a Sirius nem a XM renderam sequer dez centavos.
Fonte aqui.
Comerciais da XM nos bons tempos:
E aqui um da Sirius:
5 comments Julho 27, 2009
Vinhetas cantadas: Como NÃO usar.

Vinheta é a “imagem” da rádio. Basicamente é ela que a diferencia da concorrência. A plástica (conjunto de vinhetas cantadas, faladas, trilhas e chamadas) mostra para o ouvinte imediatamente se a emissora é moderna e dinâmica ou se parece feita em um fundo de quintal.
O radialista precisa entender que a vinheta sempre deve estar em evidência. O motivo é simples: Ela é o principal instrumento da emissora para divulgar o slogan e(a) frequência e claro, o nome da estação. Toda a vez que algo interfere nesse processo, o ouvinte está deixando de memorizar em que rádio está sintonizado. E não queremos que isso aconteça, certo?
Segue agora algumas situações que JAMAIS devem acontecer. Notem que o JAMAIS foi usado propositalmente em maiúsculas.
01) Não fale sobre a vinheta.
Dois objetos não ocupam o mesmo lugar no espaço. É o mesmo caso com a sua voz e a vinheta. Se você não está falando sobre um trilha musical, destinada especificamente para isso, não o faça sobre a vinheta.
O que fazer? Entre imediatamente APÓS vinheta. Só isso. Não é simples?
Por exemplo, se a saída de break for assim: “DI-FU-SO-RA-EFE-EMEEEEE”! Não comece a falar “34511007, o telefone da sua Difusora FM” no meio da vinheta. O ouvinte não vai entender qual é o telefone da rádio e nem em qual emissora está ele ligado.
02) Não cante sobre a vinheta.
Neste momento estou de joelhos, pedindo a você: Não faça isso! Se você for desafinado (e normalmente é) piora ainda mais. Existe uma razão pelo qual são cantores profissionais cantando a vinheta e não você. Eles são cantores e você, locutor. Parece óbvio? É sim, mas vocês se surpreenderiam a quantidade de vezes que isso acontece no ar.
Está de alto astral? Manhã de sol? Telefone bombando? O break está acabando e vai entrar a vinheta mais animada da rádio e depois a música mais pedida da programação? Você enche o pulmão de ar e vai entrar cantando junto com aquela voz de karaokê? Martele o dedo, pense na derrota do seu time, na multa de trânsito que você ainda não pagou… Em resumo: Baixe a bola e CONTENHA-SE!
03) Não coloque a vinheta com istrumental em cima da música.
Vinheta é para ser colocada ENTRE as músicas e não em cima dela. Se você tentar este “artifício”, vai provocar um efeito desagradável para os ouvintes. As batidas irão se chocar e o que era por exemplo um rock vai virar um samba. Isso passa a sensação (ou certeza) que você não se preparou para entrar no ar, escolhendo a primeira vinheta da sua frente.
Lembre-se, depois de fechar o microfone, você deve planejar com detalhes a sua próxima intervenção. Escolhendo quais vinhetas usar, o que e como falar. Os melhores fazem assim.
04) Não inserir uma vinheta acapela sobre a música.
Você anuncia na introdução da música e ao mesmo tempo pensa: “Vai sobrar 5 segundos, vou tocar uma acapela e o artista vai cantar logo após. Vai ficar bonito.” Ótimo. Você só esqueceu dois detalhes: Ritmo e tonalidade. Digamos que a batida da música está em 122 bpms (batidas por minuto) e a acapela tem 98. Parece lógico que a a combinação das duas não vai dar certo, não é? E ainda, se a nota predominante entre as duas for diferente (e sempre é), vai passar a impressão que a vinheta está desafinada em relação a música pois não soa natural. Nesse caso , use uma vinheta falada.
05) Não esconda a vinheta.
Às vezes, o volume da vinheta está tão baixo que é difícil perceber o seu uso. Isso acontece por duas ocasiões. As músicas hoje são praticamente masterizadas no máximo, o que encobre uma vinheta mal gravada. Ou então o locutor não tem o cuidado de destacar a vinheta de forma apropriada, usando-a em volume muito baixo. Vinheta é o destaque e não detalhe. Mostre com orgulho a rádio que você trabalha.
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8 comments Julho 24, 2009
O fim do rádio nos Estados Unidos e o que podemos aprender sobre isso.

A figura acima é um printscreen do site da rádio americana Pulse FM 87.7 . A emissora tem o formato dance e se encontra simplismente no maior mercado radiofônico do mundo: Nova Iorque.
O que surpreende é a mensagem da página. A rádio tem apenas mais uma semana de vida caso não consiga uma certa soma em dinheiro. Para isso, apelou para uma atitude inédita, pedindo doações aos seus ouvintes.
Tem tudo para ser um fiasco.
Qualquer rádio que não se mantém financeiramente tem duas opções. Fechar as portas ou mudar de formato (enquanto ainda existe tempo). É perturbador e vergonhoso uma emissora usar estes subterfúgios, mas dificilmente os abnegados doadores mandarão cheques todos os meses para a conta bancária da emissora.
E pensar que Nova Iorque teve grandes emissoras dance no passado como a 92KTU, onde desfilavam as inesquecíveis montagens do Paco´s supermix.
Já escrevi vários artigos sobre a situação do rádio americano e parece que tudo piora cada vez mais. Várias grandes redes estão à beira da falência. Ações foram pulverizadas e hoje valem centavos de dólar. O endividamento é tamanho que rolar a dívida é quase impossível, pior ainda com a falta de crédito devido à crise.
Milhares de profissionais demitidos transformaram a maioria das rádios hoje em jukebox com antenas. Para vocês terem uma idéia, várias horas se passaram após a morte de Michael Jackson quando as primeiras rádios começaram a tocar suas músicas. Claro, não havia ninguém nos estúdios. Quem deu a notícia em primeira mão? Nem FM, AM ou TV. Foi o site tmz.com .
Acontece que o maior problema é que para o jovem de hoje, o rádio é uma mídia morta nos Estados Unidos. Não há renovação da clientela.
- Para que rádio se eu posso ouvir a minha música como e quando eu quero?
- Para que rádio se nunca há novidades e eu descubro novos artistas no Facebook e Myspace?
- Para que rádio se eu encontro minha tribo e interajo diretamente com eles através do SMS e do Twitter?
- Para que rádio se ao invés de receber a informação, EU SOU a informação?
- Para que rádio se meu iPhone tem milhares de aplicativos onde eu posso me conectar com a webrádios do mundo inteiro e sem comerciais?
- Para que rádio se as promoções e novidades estão nos próprios sites e/ou blog das minhas bandas preferidas?
- Para que rádio se agora eu não quero intermediários entre eu e os artistas?
- Para que rádio se eu escolho e absorvo na hora mais conveniente a notícia que vai me fazer ganhar o dia?
- Para que rádio se o mainstream musical tornou-se chato e repetitivo?
Essa é a realidade lá, mas em breve será a daqui. Ainda temos tempo para nos adaptarmos, pois a internet atinge somente cerca de 20% da população. Mas é pelos celulares que a revolução vai acontecer, e nesse quesito estamos bem avançados.
Quando a classe C,D e E começar a fazer para si as mesmas perguntas, estarão nossas rádios preparadas?
Quanto tempo nos resta para a batalha?
Hoje temos 156 milhões de celulares no país, muito mais que telefones fixos. A expansão da base de celular no Brasil é de quase 20% ao ano. 83% dos brasileiros tem celular. Somos maioria no Orkut e Twitter e reconhecidamente um dos povos mais aficcionados por internet. A classe C está ávida para consumir e o celular está em seus planos. As operadoras sabem disso e vão tornar a banda larga 3G cada vez mais acessível. A empresa que não seguir esse caminho será engolida pela concorrência.
Tudo isso em nosso horizonte e os nobres radialistas vão esperar o ouvinte perguntar:
- “Para que rádio?”
Será?
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18 comments Julho 21, 2009
Webrádios em foco na revista Rolling Stone.

Matéria da revista Rolling Stone desse mês (Obrigado pelo link, Edmauro):
Fala…que ninguém escuta,
por Filipe Albuquerque.
Tendência absoluta no exterior, rádios online ainda sofrem com falta de estrutura e boas ideias no Brasil.
Música e internet têm uma relação óbvia e estreita. Desde que o jovem Shawn Fanning descobriu que era possível compartilhar discos após criar um software chamado Napster, a humanidade nunca mais ouviu música do mesmo jeito. A web mudou o paradigma de consumo de música. E o rádio como se conhece também mudou o curso e encontrou na internet uma nova plataforma para transmissões. Agora, dá para ter acesso da balada mais melosa ao single mais obscuro na mesma emissora digital, ou então optar por uma programação diária só de lados B ou nomes frescos do pop mundial. É o fim da sensação de que o repertório do rádio significa uma relação predefinida de sucessos e flashbacks executados por 24 horas a fio.
No exterior, as referências são diversas. Comprada pelo casal Doug e Linda Balogh em 1983 por US$ 375 mil, a emissora norte-americana Woxy.com desde 1997 é obrigatória para os interessados em música nova com qualidade de transmissão e inovação. A conterrânea KCRW.com e a australiana Triple J (www.abc.net.au/triplej) seguem na mesma esteira, dando as cartas do novo pop global.
Mas esses altos padrões ainda não são necessariamente aplicados no Brasil. Aqui, o amadorismo e a falta de preparo ainda pautam grande parte das programações. Segundo o portal Tudoradio.com, há cerca de 5 mil estações brasileiras operando na internet. Destas, 95% podem ser classificadas como fundo de quintal. E aí, diferentemente do que se observa lá fora, com rádios apontando tendências, atirar para todos os lados com pouco foco ou ousadia é a tônica do segmento. É quando qualidade – estética e artística – passa a ser a menor das prioridades.
“Para a maioria das pessoas que estão envolvidas com isso, é tudo novidade”, opina Daniel Starck, diretor do portal Tudoradio.com e responsável pelas emissoras digitais Brasilwebradio (em breve com aplicativo para iPhone) e Radiotransitoweb. “Por isso, o amadorismo e a ideia de que qualquer um pode fazer derrubam a qualidade e afugentam possíveis investimentos comerciais”, diz Starck, que define a programação de boa parte das onlines hoje como “totalmente sem sentido”. Salvo exceções, as emissoras “não sabem o que estão fazendo e para quem estão fazendo. São poucas as que possuem algum projeto decente, e isso inclui a estética e a programação em si”, avalia.
Também especializado no segmento, o site Radios.com. br contabiliza um número fabuloso de estações religiosas e links para rádios cujos nomes não dizem absolutamente nada sobre a programação – Radio Giga, Rede ao Vivo, Toca Tudo Mundial, Coesa Hits são alguns exemplos.
Criada em 2005, a RedeBlitz destoa um pouco do amadorismo das colegas. Com investimento inicial de R$ 20 mil, nasceu (móvel, em uma Kombi) com objetivos definidos, ainda que pouco vanguardistas. “O foco é numa programação jovem e pop rock”, avisa Roberto Vilela, diretor geral da emissora, que ressalta ter levado seis meses para definir o conceito da rádio. Para ele, a melhor maneira de atrair audiência é oferecer ao público a oportunidade de interferir na programação e receber o mérito por isso. “Tentamos a interação ao máximo com o ouvinte. Ele manda o recado, toca o som que ele quer.” Ferramentas como MySpace, Orkut, Twitter e Skype também estão no menu da rádio, com 8 mil acessos únicos diários.
A cena das webradios brasileira é completada ainda pelos sites das emissoras tradicionais, aquelas do dial, que disponibilizam a programação em streaming no próprio site. Já os grandes portais de internet, por sua vez, investem em tecnologia e variedade para prender o ouvinte no computador. O foco principal da Rádio UOL está em “o internauta poder ouvir a música que quiser, na hora que quiser”, informa Jan Fejd, diretor do UOL Megastore. Assumidamente eclético, o serviço está baseado em canais para cada gênero musical – do axé à world music – e em mais 13 programas, “feito para que o ouvinte tenha opções de, além de criar sua própria programação, poder ouvir programas exclusivos dentro do seu nicho de interesse”, diz Fejd.
Já o portal Sonora, do site Terra, oferece 200 emissoras de rádios “on demand” e mais de 1 milhão de músicas (sempre disponíveis) no acervo. “O objetivo é levar música de todos os gêneros para o internauta, da forma que ele preferir”, explica Beni Ostenberg, gerente de produto do Sonora. “Quando o internauta ouve a rádio dos programadores, ele pode pegar a música de que mais gosta e criar uma rádio própria”, informa. Além do serviço gratuito, ainda há uma outra opção a partir de R$ 14,90 que permite baixar músicas para o PC, MP3 player ou celular.
Um detalhe sobre ambos os serviços: nenhum traz a figura do locutor apresentando músicas ou falando entre uma atração e outra. Para quem não abre mão dessa tradição, ainda resta ir atrás dos cada vez mais populares podcasts musicais em português. As opções são muitas e variadas, mas – para o bem do ouvinte – de excelente qualidade.
7 comments Julho 17, 2009
20 rádios HD.

2. Sony XDR-S10HDiP HD Radio Tuners

3. JBL On Time HD Radio with iPod Dock (400IHD)

4. Jensen Docking Digital HD Radio System for iPod


6. Polk Audio I-Sonic ES2 iTunes with HD Radio
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8. TEAC HD1 HD Radio Receiver with iPod/iPhone Docker

9. iLuv iHD171 iPod & iPhone 3G Dual Alarm HD Radio Docking Station

10. iLuv I169 HD Radio Receiver

11. iLuv i168 HD Radio Receiver

12. Sangean HDR-1 Table Top HD Radio Receiver

13. Radiosophy HD100 HD Radio Receiver

14. KRI Armband Portable HD Radio Receiver

17. Cambridge Soundworks 820HD

18. Griffin Radio Shark HD (Concept Only)

19. Radio Shack Gigaware HD Radio with iPod Dock


Email do amigo Carlos Oliveira.
1 comment Julho 15, 2009
www.eternalmooonwalk.com

A rádio belga Studio Brussel viu nas homenagens ao cantor Michael Jackson uma oportunidade de divulgar sua marca. Para isso, criou o site colaborativo “Eternal Moonwalk” que reúne vídeos de internautas recriando o passo de dança Moonwalk intercaladamente. Assim, cria-se um efeito que simula um eterno movimento. O site aceita inclusão de vídeos de pessoas de qualquer lugar do mundo – há até brasileiros participando da brincadeira.Fonte aqui.
Que tal um bom webdesign e um caminhão de criatividade criando o site mais interativo e descolado do mundo em homenagem a Michael Jackson? Nada de choradeira, chega! Todo mundo no moonwalk agora! Rsrsrsrs!
E se fosse a sua rádio, divulgando sua marca para o mundo inteiro? Que pena, hein? Parabéns para a Studio Brussels!
O site aqui, recomenda-se banda larga.
Add comment Julho 9, 2009



























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