A marolinha do rádio.

Julho 2, 2009

“Rádios terão o retorno financeiro quanto mais rápido se portarem como empresas LOCAIS de informação e entreterimento do que  simples transmissoras.”

BIA Financial Network.

Isso significa que o potencial do rádio é local e não de rede. A identificação com a audiência só acontece plenamente quando seu ouvinte sabe que você gera conteúdo e informação que vai acrescentar algo em sua vida.

O Rádio tem a extraordinária oportunidade de difundir seus produtos via plataformas digitais, principalmente se a equipe de vendas conseguir promover o “cross-media” entre o tradicional e o moderno (leia-se podcasts, banners, twitter, promoções exclusivas, etc).

Tem emissoras que se apóiam exclusivamente no seu passado para se salvarem do futuro.

Isso não vai acontecer.

Grandes marcas não sobrevivem há anos de omissão e desinteresse por parte de seus administradores. O rádio é o meio de comunicação que mais precisa de pessoas qualificadas nesse momento. Toda a indústria radiofônica precisa ser reinventada e  perguntas se impõem neste momento: O que a sua emissora está fazendo para atravessar essa transição? Ou ainda, como você vê a sua marca daqui há 5, 10 anos? E por último: O que você tem feito para descobrir e atrair a geração ipod para a sua frequencia?

Deixa eu adivinhar: Cortando custos? Demitindo profissionais qualificados, mas que “pesam” na sua folha de pagamento? Acumulando trabalho nos radialistas renanescentes?

Será que essa é a solução? Não acredito.

Os Estados Unidos vivem uma crise sem precedentes no rádio. O principal problema foi a excessiva desregulamentação do mercado em 1996. Hoje as redes, como Citadel, Premiere, Emmis e Clear Channel  se encontram em estado falimentar. Compraram na alta e agora tem verdadeiros micos nas mãos, em plena crise financeira e sem poder refinanciar seus débitos. A festa acabou.

Muitos dos procedimentos utilizados por eles há 10 anos são exatamente os mesmos que estão em prática no mercado brasileiro: Redes de rádio sem conteúdo local, voice tracking, demissões em massa, desvalorização do profissional, acúmulo de funções, etc.

Parece que essa “economia burra” não deu certo. O público dos Estados Unidos continua fugindo das rádios tradicionais e correndo alegremente para seus iphones, hoje a principal central de entretenimento individual que um ser humano pode ter. Um produto que se inova todos os dias, com milhares de aplicativos. Cada pessoa pode customizar sua própria diversão ou fonte de notícias, ouvir centenas de mp3s em seu HD e até ouvir webrádios.

Mas o iPhone não tem o rádio tradicional. E porque teria?

Acredito que o rádio americano está antecipando uma crise que vai nos atingir em cheio dentro de 5 a 10 anos, e vai pegar os empresários brasileiros de calças curtas.

A marolinha vai virar tsunami.

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Quer publicar esse artigo? Não esqueça a fonte: http://gabrielpassajou.com

 

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2 Comments Add your own

  • 1. Henrique Augusto  |  Julho 4, 2009 at 3:51 pm

    Como você foi feliz nesse post.

    Uma análise contundente e real do presente no rádio mundial, e do futuro do rádio brasileiro.

    Responder
  • 2. Cássio Fernando  |  Julho 14, 2009 at 8:31 pm

    No brasil a toda coisa é engraçada , prá não dizer deprimente…!
    Estive analisando emissoras pequenas , de cidades pequenas e médias…
    São proprietários de muitas :
    Religiosos , políticos , construtores , investidores , empreendedores e por aí vai..
    Mas dono de rádio que é ou foi radialista , não se acha..
    Eu não achei nenhuma…Vou continuar pesquisando mesmo assim , pois deve ter uma ou duas…
    Não bastasse isso , as emissoras onde seus proprietários não são do ramo , ainda colocam no comando das programações , mais amadores..
    Ou são filhos , ou são sócios ou mesmo um profissional bem baratinho que tá na rua da amargura e faz qq negócio , os escolhidos.
    Achei rede de 6 emissoras controladas por gente que nunca fez rádio…
    Aí as emissoras viram nessa porcaria q se ouve , operam sempre no limite do vermelho da grana , apresentam produtos que dispensa comentar , não vendem , não são lucrativas e tem gente que ainda se pára a explicar o pq..
    Tá na cara a explicação !
    Comando..Faltou comando , acabou a coisa !
    E quem pode ser comandante numa rádio ?
    Um radialista ; lógico..!
    Alguém tem dúvida disso..?
    E de preferência capacitado e com boa experiência…
    E no brasil então , não há gente experiente ?
    Não há ou não querem empregar gente boa pq custa mais q essa merreca que oferecem a quem se dispôr a trabalhar ???:
    Um navio onde todos os tripulantes , inclusive o capitão não sabe navegar ou não são marinheiros de profissão , pode-se esperar o que ?
    Tudo !
    Menos navegação !
    Esse é o brasil e esse é o rádio que deixaram prá gente !

    Cássio Fernando
    Ex radialista

    Responder

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